Cajón del Maipo, destino para contemplar e se aventurar pelos Andes chilenos

Cajón Del Maipo
Vulcão San José

É incrível como o Chile surpreende. Mesmo para um viajante profissional como eu, o país andino revela sempre um cantinho diferente e deslumbrante para visitar. E olha que eu conheço o Chile de ponta a ponta, e mesmo assim não me canso de voltar e voltar e, em todas as vezes, encontro um lugar especial. Desta vez não podia ser diferente.

Embarquei para Santiago no finalzinho do ano e tinha como uma das minhas metas nesta viagem conhecer a região de Cajón del Maipo. Eu já tinha ouvido falar sobre o destino, que fica bem perto de Santiago, mas que ainda é pouco explorado pelo turista brasileiro. São mais ou menos 80 quilômetros de distância desde a capital, mas não pense que chegar até lá seja uma tarefa assim tão fácil. O que deixa o lugar ainda mais fascinante. Afinal, quem ama viajar, quer mais é distância de multidões de turistas.

Cajón del Maipo
Vista do Cerro Morado

Se você é do tipo que gosta de mais de facilidades, além de conforto, pode optar por se hospedar em um lodge, como o El Morado, do qual falarei mais abaixo. Essa opção, sem dúvida é a mais cômoda, pois o lodge oferece serviço de transfer desde o aeroporto de Santiago. O que é, sem dúvida, uma mão na roda. Outra é alugar um carro, mas tenha em mente um modelo 4×4, pois o asfalto vai até um trecho, e é preciso de força, principalmente para vencer aclives e escapar de atolamentos. Uma dica é alugar antes de embarcar e já sair com o carro do aeroporto.

Mas se você é do tipo aventureiro, então prepare o polegar para pedir carona, ou “dedos”, com se diz por lá. Não existe transporte público até o Cajón. O jeito então é pegar um ônibus de Santiago até San José de Maipo, comuna na região metropolitana que fica a pouco mais da metade do caminho e, de lá, conseguir uma carona. O que não é tão difícil, pois na região ficam campings e termas frequentados principalmente por moradores de Santiago, e também por abrigar o Embalse el Yeso, uma das maiores reservas de água que abastece a população santiaguina. Então, sempre há um caminhão passando pela estrada e motoristas prestativos.

Cajón del Maipo
Trekking até a geleira do Cerro Morado: caminhada exige preparo físico e coragem

Cajón del Maipo fica a quase 4 mil metros de altitude, mas ter fôlego não tem a ver com o fator respiração. O turista pode até escolher apenas contemplar a vista e apreciar um bom vinho e culinária da montanha, mas ficará limitado a o que o destino realmente oferece. Visitar o Cajón significa escalar morros, cavalgar por vales, fazer mountain bike por morenas (amontoado de pedras e sedimentos arrastados morro abaixo por glaciares no processo de degelo) e se enfiar em águas e barro termais.

Cajón del Maipo
Pés nas águas geladas que descem da geleira do Cerro Morado

Cansado só de ler? Mas digo que vale a pena. Imagine-se caminhando horas a fio por uma trilha íngrime, repleta de pedras e ao lado de um abismo e, de repente, ao chegar até uma planície, se deparar com uma fonte de água potável cristalina que brota geladinha das entranhas da cordilheira. Um convite para matar a sede e se recuperar. E depois de castigar os pés, encontrar mais adiante um rio para se refrescar. Tirei as botas de caminhada e mergulhei meus pés na água que desce dos Andes. Deixei-os até sentir a dormência causada pelo gelo. Refrescante e, ao mesmo tempo, um alívio e um estímulo para enfrentar o trecho da volta.

Termas
Nem tudo é só esforço físico. Você pode relaxar nas águas termais do Vulcão San José. Há quem acredite que os minerais presentes na água, como o gesso, são ótimos para a pele. Na termas dá para fazer aquelas máscaras naturais e ficar apreciando a vista. Não há estrutura além das piscinas naturais, por isso, é preciso levar o que for necessário para o passeio, e nunca esquecer de água para se manter hidratado.

Embalse el Yeso
O reservatório de água é um lugar interessante para visitar, mas vale lembrar que não existe nenhuma infraestutura. Portanto, não deixe de levar água e, se der vontade de ir ao banheiro, não se acanhe em se aliviar em plena natureza. O encanto é a beleza natural, principalmente quando o sol reflete seus raios sobre o espelho d’água em tons de esmeralda. Não deixe de levar um agasalho, pois venta muito e a temperatura cai no fim da tarde, mesmo no verão, quando o sol ainda está alto.

Cajón del Maipo
Embalse el Yeso: Águas cor esmeralda

Trilha andina
É a rota que demanda maior esforço físico. São, no mínimo seis horas de caminhada. Apesar da dificuldade é, de longe, o melhor passeio, pois é possível avistar muitas montanhas andinas, como o Cerro Cortaderas, Mesón e Cerro Morado, todas salpicadas de neves eternas. O ápice é a geleira do Cerro Morado, com seu lago cravedado de gelo e uma visão panorâmica de toda a região. Ao longo do caminho, encontros com habitantes dos vales e montanhas, como cavalos selvagens, gado, coelhos e o majestoso condor, a maior ave de rapina do mundo.

Outros passeios interessantes incluem o trekking na base do Cerro Rurillas, que passa próximo de uma antiga mina de calcário e ainda uma trilha de mountain bike pelo Valle da Engorda.

Apesar de toda beleza natural que guarda, o Cajón del Maipo não é um destino que deva ser escolhido como único para visitar em uma viagem ao Chile. O turista deve agregar, pela proximidade, uma estadia de pelos menos dois dias em Santiago e ainda realizar tours por vinícolas na região metropolitana, entre elas a mais conhecida dos brasileiros, a Concha Y Toro, por exemplo. Já que estamos na terra dos melhores vinhos da América do Sul, não há como não ir. E mesmo se você não aprecia vinhos, os tours têm degustações de queijos, além de boas histórias sobre a vinicultura chilena. E ainda dá para almoçar em muitas vinícolas. Aproveite para saborear a culinária local. Prove o Lomo a lo pobre, o prato mais típico (e bem servido) do Chile. Outra dica é, se você é do tipo que não tem intimidade com neve e frio, prefira o verão. O inverno no Cajón é muito rigoroso e, pela falta de uma melhor estrutura, o acesso também é mais difícil.


Hospedagem

Cajón del Maipo
Restaurante e quarto do Lodge El Morado: charme na montanha

Como uma região praticamente ainda isolada, o Cajón del Maipo não dispõe de uma rede hoteleira. Uma opção é ficar nas pousadas em San José. A cidade tem diversas, mas vale lembrar que o município fica no meio do caminho até o Cajón. No entanto, há apenas 11 meses, o Lodge El Morado abriu as portas para quem busca, ao mesmo tempo, conforto, boa gastronomia, bons vinhos e uma vista de frente para o Cerro Morado e para o vulcão San José.

A construção, típica da montanha, valoriza a madeira, mas tira proveito da beleza natural com janelas gigantescas, inclusive nos quartos e cabanas, que mostram, como em uma moldura viva, todo esplendor desse particular cantinho dos Andes.

A culinária é latina, com uma mescla principal entre ingredientes colombianos e chilenos. Para acompanhar pratos com salmão e cordeiro, uma razoável carta de vinhos chilenos.

O lodge está finalizando seu spa e, em breve, oferecerá uma série de tratamentos de bem-estar e relaxamento. Uma boa pedida para quem passou o dia sob o sol caminhando ou em longas cavalgadas e mountain bike. Informações no site do lodge.

Cajón de Maipo
Eduardo Gregori visitou o Cajón del maipo a convite do Lodge El Morado

Assista ao Programa Eu Por Aí sobre o Cajón del Maipo

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Eduardo Gregori

Eduardo Gregori é jornalista profissional especializado em turismo. Eduardo Gregori is a professional tourism journalist

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