A cidade que fascinou Ernest Hemingway

Pamplona
Monumento Al Encierro, no Centro de Pamplona

Pense rapidamente na Espanha e descreva o que vem à mente. Para mim, é quase que inevitável ter como primeira referência acordes da guitarra flamenca, acompanhados de um lamento em forma de canto, palmas e de passos vigorosos de bailaoras, que giram sobre longos e bordados vestidos vermelhos, se abanando com leques rendados e de cores calientes e marcando o ritmo com castanholas nas mãos e sapatos de salto de madeira e metal nos pés.

Pensar na Espanha é também trazer ao paladar sabores marcantes como o dos presuntos ibéricos, especialmente o Pata Negra, ou ainda os frutos do mar deliciosamente agregados ao arroz em uma tradicional paella. Tudo isso, claro, acompanhado de um bom vinho que só país europeu sabe produzir. Mas imaginar a Espanha apenas pela música e gastronomia, principalmente da parte Sul, seria como reduzir o Brasil a mulatas, samba e feijoada. O país ibérico, tem historicamente uma diversidade cultural gigantesca, fruto, principalmente da união e da conquista de pequenos reinos.

A Espanha é um dos poucos lugares na Europa onde é possível experimentar de tudo: das praias badaladas como Ibiza, passando pela ultramoderna Barcelona, ou a austera capital, Madri. Mas há muito mais a explorar. Por isso, decidi rumar para o Nordeste, região ainda pouco conhecida dos brasileiros, mas um dos lugares que mais atraem turistas do Velho Continente, principalmente no Verão, quando o belíssimo litoral na divisa com a França fica lotado.

Mas a região não é somente para curtir a beira-mar. Quem aprecia arte deve ir a San Sebastian, cidade que abriga anualmente um dos maiores festivais de cinema do mundo ou, mais ao Norte, em Bilbao, onde fica o importante e moderno museu Guggenheim. Porém, o que de fato faz esta porção do país ser conhecida mundo afora é uma mescla entre sagrado e pagão. Enquanto Santiago de Compostela, capital da Galícia, é um polo internacional de peregrinação cristã por sua catedral abrigar o túmulo de Santiago Maior, um dos apóstolos de Jesus Cristo, Pamplona, Capital de Navarra, reúne uma verdadeira massa de turistas que se unem para correr com touros por ruas estreitas e de pedras durante as festas de San Fermín.

Escolhi visitar Pamplona, a quase 400 quilômetros de Madri, justamente por sua fama, que conquistou, inclusive, Ernest Hemingway. O escritor norte-americano gostou tanto da cidade que voltou outras sete vezes e Pamplona o inspirou a escrever seu primeiro livro de sucesso: O Sol Também Se Levanta (The Sun Also Rises), publicado em 1926, e que tem San Fermín como pano de fundo. Não fui a Pamplona em junho, quando acontece a festividade, mas pelas fotos espalhadas pela cidade, deve ser uma experiência única. Nos jornais e na internet, imagens de turistas que tiveram a sorte de não levar uma chifrada. Outros, porém, não têm o mesmo destino.

Pamplona
Entrada da Ciudadela: a Pamplona medieval

Sou o tipo de turista que adora conhecer uma cidade andando e Pamplona é perfeita, não apenas pela topografia plana, mas também por ser relativamente pequena e concentrar diversos pontos turísticos em uma mesma região.

Uma dica é colocar calçados confortáveis. Se a visita for durante o Verão, recomendo roupas leves e uma garrafa d’água, pois a temperatura chega facilmente aos 40 graus. Se for no Inverno, não esqueça de se agasalhar bem, pois o frio pode atingir os oito graus negativos e para piorar, acompanhado de vento forte. Vale lembrar que chove bastante, então, um guarda-chuvas na mochila nunca é demais.

Se o fôlego para seguir a pé não for suficiente, é fácil se locomover utilizando o sistema de transporte público. Pamplona não tem metrô e nem serviço de carro por aplicativo, por isso, aproveitei para experimentar os ônibus, chamados de villavesas. Como queria poupar, comprei um cartão recarregável em uma tabacaria e fui inserindo créditos a medida que precisava. Uma dica é que, com o cartão, o preço da passagem tem desconto, mas é possível pagar com dinheiro. Estranhei mesmo foi o sistema de táxi. Eles simplesmente não param na rua e não adianta dar sinal. É preciso procurar um ponto ou ligar no número 948-232-300.

Os principais pontos turísticos de Pamplona ficam no Centro. No caminho para a Plaza Del Castillo, o marco zero da cidade, visitei o Monumento Al Encierro, na Avenida Roncesvalles. A obra em bronze é uma homenagem às festas de San Fermín. E se o turista, como eu, gosta de fazer comprinhas, o calçadão bem ao lado do monumento tem várias lojas, de roupas, assessórios a eletrônicos, uma verdadeira tentação.

Mas é na Plaza Del Castillo que Pamplona ferve! Além dos bares, que tratarei mais abaixo, o lugar é o ponto de encontro da cidade, local para ver e ser visto durante o dia e também à noite, antes da balada. O mais engraçado é que, apesar do nome, não há um castelo no lugar. Ele foi derrubado há séculos, mas o nome permanece. Sempre há algo acontecendo na praça, seja uma apresentação de uma trupe de teatro, ou uma banda tocando música folclórica no coreto. O legal é sentar em um banquinho e apreciar o vai e vem de pamploneses e turistas. Se bater a vontade de tomar uma cerveja ou um café, uma dica é o Café Iruña, que ficou famoso por ser o lugar preferido de Hemingway. A casa, inclusive, lhe rende homenagem com uma estátua em tamanho real, que fica encostada junto a bancada, como a pedir por mais uma cervejinha gelada.

Pamplona
O Café Iruña: o favorito de Hemingway

Do Café Iruña segui para a prefeitura, chamada de Ayuntamento. A bela edificação é o local onde acontecem as principais cerimônias oficiais da cidade, incluindo o chupinazo, que dá início às festas de San Fermín. Tentei tirar uma foto alinhada do prédio, mas a sensação é que ele está afundando lateralmente, fato que deixa a visita ainda mais inusitada. Quase ao lado fica a Igreja de São Saturnino. Erguida no século XII em estilo gótico, sua torre iluminada é um dos cartões postais de Pamplona.

No Centro, em outra ponta, caminhando pelo principal calçadão, fica a Catedral de Santa Maria La Real, também em estilo gótico, e que abriga as sepulturas de alguns dos monarcas de Navarra, além de um gigantesco acervo de peças de arte sacra. Um lugar que não deve ficar de fora do roteiro. Outros locais interessantes para visitar no Centro é a Câmara de Comptos de Navarra, único edifício civil em estilo gótico que sobreviveu ao longo dos séculos e a Igreja de San Nicolás, edificação que integrava o complexo de muralhas da cidade. Foi construída no século XII e nela está o órgão barroco mais importante de Pamplona.

Do Centro, caminhei por dez minutos pelo Paseo de Sarasate até a Avenida Del Ejército, onde fica o monumento mais emblemático da cidade: a Ciudadela. Aliás, Pamplona é muito conhecida também por ser uma das poucas cidades europeias que conseguiu manter boa parte de suas antigas fortalezas intactas. A construção, em forma pentagonal, revela nuances da história medieval da cidade. Se no século XVI, quando começou a ser erguida, servia para defender a cidade, hoje, é um parque arborizado onde é possível simplesmente descansar sob as copas das árvores, caminhar pela grama do fosso ou ao redor da fortaleza, visitar suas edificações ou ainda, como no meu caso, assistir a uma sessão de cinema a céu aberto, uma experiência incrível! Na Ciudadela também é possível ver outras construções históricas, como o Fortín de San Bartolomé, um dos fortes originais da Pamplona medieval, e que, atualmente, funciona como museu.

Quando a noite cai é que Pamplona revela seu lado baladeiro. A partir da quinta-feira os bares ficam lotados e, o mais interessante, é que as baladinhas começam cedo. Por isso, já estava pronto às 7h da noite. E nada de escolher um lugar apenas para passar a noite toda. O costume local é ir bebericando e petiscando de bar em bar e depois se acabar numa pista de dança até o sol raiar. Esqueça música eletrônica, em Pamplona, o ritmo latino comanda a madrugada. É preciso muito fôlego para acompanhar.

O circuito começa na Calle Estafeta e a pedida são os bares Gaucho, Bodegón Sarria (condecorado pelo Guia Michelin) e o Chez Belagua. De cerveja, destilados e vinhos, o que não falta é variedade. No estilo nacionalista basco, na Plaza de La Navarrería e Calle de la Calderería ficam a Méson de La Navarrería, Garatzi e o Terminal, onde drinques e comidas são servidos ao som de rock’n roll e estilo mais alternativo. No Baluarte de Redin fica a Mesón del Caballo Blanco, um dos cenários do filme O Caminho estrelado por Martin Sheen, onde é possível curtir durante as tardes de Verão um bom café ao som de jazz e soft rock ao vivo.

Gastronomia local

Quer provar uma bebida típica? Escolha o Rioja. O vinho é produzido com uvas da espécie Aragonez, cultivadas em Navarra, e mais ao Norte, na Comunidade Autónoma de La Rioja e na província de Álava, já no País Basco. Muitos dos vinhos Rioja são elaborados a partir da mistura de uvas de grandes regiões, mas há também os de pequenos terroirs, que acentuam o sabor e lhe dá uma característica única. Outra opção é o kalimotxo, que nada mais é do que a mistura de vinho com refrigerante de cola e gelo. Vale lembrar que o vinho utilizado nesta bebida nunca é de grande qualidade e, por isso, é bem barato. É uma boa pedida, principalmente em dias quentes, pois é muito refrescante. Porém, não garanto que no outro dia seja possível escapar da ressaca.

Pamplona
Plaza del Castillo. a principal da cidade

Para acompanhar um drinque, nada mais tradicional em Pamplona como um saboroso pintxo. Há quem diga que são uma espécie de petisco, mas os pintxos são muito mais que isso. Tratam-se de verdadeiros pratos em escalas reduzidas, e que trazem ao paladar toda a identidade gastronômica da região. Há pintxos elaborados com os mais diversos ingredientes, de produtos como a beringela aos peixes como o bacalhau. Provei algumas variedades no bar Txoko e no Café Iruña, e confesso, são mesmo uma delícia.

Mas é no Bar Fiteiro que ganham um ingrediente especial: tradição. São 66 anos dedicados à culinária local. Foi na mesa do Fiteiro que conheci Fidel, garçom que está na casa há seis e que me conta que o pintxo é uma tradição para abrir o apetite. “Antes do jantar, faz parte do nosso costume sair para tomar umas taças de vinho e comer um ou dois pintxos. Sempre cai bem”, diz. Fidel revela que um bom pintxo é aquele feito com ingredientes de qualidade da região e pelas mãos de um bom cozinheiro. “Temos concursos que estimulam os cozinheiros a buscarem novas receitas e sabores, evoluindo o conceito do pintxo, mas nós do Fiteiro optamos pelo tradicional”, conta.

Fidel está mais do que certo, afinal, encontrar uma mesa vazia no Fiteiro, só com muita sorte. Aproveitei para provar o pintxo de bacalhau desfiado com pimentão e cebola. Como adoro bacalhau, pedi outro, só que empanado em tempurá e salpicado de pimentão. Dá para imaginar o sabor? Na mesa ao lado, contei um turista se deliciando com nada menos que 18 pinxtos. Bem, para quê comer uma refeição completa após esse manjar?

Mas se mesmo após uma verdadeira epopeia gastronômica protagonizada por pintxos, se o visitante ainda quiser degustar pratos típicos, Pamplona tem bons e variados restaurantes. Escolhi receitas elaboradas com ingredientes locais, como o aspargo, a alcachofra e os pimientos de piquillo (pimentões vermelhos de tamanho pequeno). Como um bom glutão que aprecia carne, não pude deixar de fora do cardápio o cordero al chilindrón (cordeiro guisado com batatas e pimentões). Outras opções incluem o bacalao al ajoarriero (bacalhau com pimentões verdes e vermelhos, tomates e pimenta cayena), acompanhado de ovo frito, pimientos rellenos (pimentão de piquillo recheado com molho bechamel) e o bacalao al Pil-Pil (bacalhau acompanhado de um molho coalhado, feito a partir do próprio caldo do pescado e azeite de oliva). Esqueça a balança depois de se fartar com variadas e deliciosas receitas de encher os olhos e claro, o estômago.

Pamplona
Centro de Pamplona: região de muitos bares e restaurantes

Quando o final de semana chega, a maioria dos bares ficam abertos até as 4h da manhã e quem quiser esticar ainda mais a noite, a balada é no bairro San Juan, onde ficam as casas noturnas, sendo a mais famosa a Ozone. No Centro, as principais são o Subsuelo e o Café Zentral. Na Subsuelo, ao lado do Café Iruña, é preciso ter paciência, pois a fila é gigantesca, mas vale a pena, principalmente para quem quer ver gente jovem e dançar muito, mas muito espremido. O Zentral tem um público bem eclético, com predominância adulta, a não ser quando há apresentações de DJs e shows de bandas conhecidas. Uma dica é chegar tarde, bem depois da meia-noite, ou, como eu, correrá o risco de ficar conversando com uma barwoman até que balada comece a lotar de verdade.

História

Refeito da noitada, é hora de conhecer mais um pouco da história de Pamplona. A cidade, que um dia foi o Reino de Navarra, tem um dos mais belos castelos da Europa, o Castelo de Olite. A edificação, inclusive, inspirou Walt Disney quando construiu o Castelo da Cinderela na Disneylândia. Para visitar o lugar, que fica na pequena cidade de Olite, a 40 quilômetros de Pamplona, é preciso tomar um ônibus que parte da rodoviária e custa apenas 3,75 euros o trecho. Mas é bom ficar atento, pois o ônibus não tem ponto final na cidade. Assim, pedi ao motorista que parasse no ponto mais próximo. Uma breve caminhada e me deparo com uma verdadeira obra de arte.

Erguido no século XIII como a corte dos reis de Navarra, o castelo passou por maus momentos, sendo quase que inteiramente destruído no século XIX. Restaurado quase cem anos depois, é possível entrar em amplas salas, ou nos aposentos mais íntimos dos monarcas, caminhar pelos jardins e ainda ver partes da majestosa construção original. O ingressos custa 3,50 euros. A visita guiada sai por mais 1 euro. Dei uma esticada até a igreja de Santa Maria, que fica ao lado palácio. Para ver o templo, é preciso desembolsar mais 1,50. A cidadezinha de Olite é para passar quase que um dia inteiro. Aproveitei para dar uma boa caminhada pelas estreitas ruas, que revelam becos e casas construídas há séculos e que, de certa maneira, conservam o aspecto medieval. Uma belíssima surpresa é a igreja de São Pedro. Apesar de mal conservada, abriga muitas relíquias sagradas.

Pamplona
O castelo de Olite, antiga corte de Navarra

Perto de Pamplona há outros lugares pitorescos para conhecer, como o Castelo de Xavier, ou Castillo de Javier, que fica no município de Javier, a 52 quilômetros de distância. No castelo, uma fortificação muçulmana do século X, nasceu São Francisco Xavier, missionário católico cofundador da Companhia de Jesus. A edificação, lugar de peregrinação anual, chamada de Javierada, e que ocorre durante o mês de março, abriga obras sacras que exaltam a vida de Francisco Xavier. Junto a construção fica uma basílica, aberta à visitação e com missas regulares. Não deixe de ver.

Serviço:
Endereço: Plaza del Santo, s/n, Javier, Navarra
Tel: 948-884-024
Site: turismo.navarra.es/esp/organice-viaje/recurso/Patrimonio/3110/Castillo-de-Javier.htm
e-mail: castillodejavier@jesuitas.es
Funcionamento: Todos os dias das 10h às 16h
Ingresso: 2,75 euros
Visitas guiadas: 3,25 euros para adultos e 1,75 euros para crianças

Pamplona
Castelo de Xavier, próximo de Pamplona

A apenas nove quilômetros do Castelo de Xavier, na cidade de Yesa, fica um dos monastérios mais importantes de toda a Península Ibérica, o Monastério de San Salvador de Leyre. Aos pés da Serra Errando, a construção guarda os restos mortais dos primeiros reis de Navarra. A construção em si, é uma verdadeira obra de arte, com sua abobada gótica e a Porta Speciosa, um portal românico do século XII. O monastério é um lugar, antes de tudo, de reflexão e prece. A visita pode ser ainda encantadora se o visitante se programar para assistir às horas canônicas dos monges, celebradas acompanhadas de canto gregoriano. O monastério tem também uma programação cultural, com concertos de coral e órgão. Quem não gosta ou participa de cultos católicos, pode sentar no café bem na frente da construção e apreciar a beleza natural que se espalha desde a serra até um vale. Uma imagem digna de ser pintada.

Serviço:
Endereço: Monasterio de Leyre, s/n, Yesa, Navarra
Tels: 948-8841-50 e 948-884-011
Site: turismo.navarra.es/esp/organice-viaje/recurso/Patrimonio/3152/Monasterio-de-San-Salvador-de-Leyre.htm
e-mail: visitas@monasteriodeleyre.com
Funcionamento: Todos os dias das 10h às 18h. Horas canônicas às 19h e completas às 21h
Ingressos: 3,00 euros
Visitas guiadas: 3,00 euros adultos, 3,00 para grupos de 25 pessoas e 1,50 euros para crianças

Como chegar

Você pode estar se perguntando como chegar e onde se hospedar na cidade. Bem, Pamplona acaba de ampliar sua ligação com as principais cidades europeias. O Aeroporto de Noain/Pamplona, que mantém voos regulares da Iberia para o Aeroporto de Barajas, em Madri, foi conectado recentemente à Frankfurt, com três voos semanais da Lufthansa para o principal hub alemão. De Madri, o voo dura apenas 45 minutos e de Frankfurt são duas horas. Do Brasil, a Latam vende passagens de São Paulo e Rio de Janeiro, utilizando a Iberia como conexão em Madri.

Escolhi voar para Bilbao, cidade com o terceiro maior aeroporto em movimento na Espanha, e que fica a pouco mais de 150 quilômetros de Pamplona. A comodidade de ir para Bilbao, a outros 45 minutos de voo de Madri, é a conexão quase que imediata, com uma espera de apenas duas horas e embarque no mesmo terminal de chegada, o 4S. O único inconveniente são os poucos horários de ônibus e a distância entre o aeroporto e rodoviária.

Não há ligação de trem entre Bilbao e Pamplona. Porém, o visitante deve considerar ficar pelo menos dois dias em Bilbao, uma das cidades mais belas e modernas do Norte da Espanha. Apesar do inconveniente, a capital galega tem maior número de voos que Pamplona e o preço da passagem é normalmente o mesmo para o trecho Guarulhos-Madri e, dependendo da época do ano, até mais barato. Outra opção é ir de trem.

A Renfe, empresa que opera a malha ferroviária espanhola, tem saídas de várias cidades como Madri, Barcelona, Zaragoza, Irún, Vitoria e Gijón, estas com ligações diretas a Pamplona. Porém, a malha ferroviária permite viajar para a capital de Navarra com conexões desde outras cidades, incluindo outros países como Portugal e França. O percurso entre Madri e Pamplona dura três horas e é realizado em trens confortáveis. E se bater uma fominha, há sempre um vagão lanchonete disponível com café, refrigerantes, sucos e lanches. Se o avião ou o trem não estiverem nos planos, a rodoviária de Pamplona tem linhas diretas ao Aeroporto de Madri. As empresas Alsa e PLM realizam o trajeto. É uma opção, principalmente para quem deixa a Espanha logo cedo. É possível pegar o último ônibus, que parte à 1h da manhã e chega às 6h05 no aeroporto madrilenho.

Pamplona
Descansando no parque onde fica a Ciudadela

O único inconveniente da Alsa, principalmente para quem viaja de madrugada, é que a empresa faz uma troca de ônibus na cidade de Soria. É preciso descer correndo, pegar as malas, colocar no outro veículo e seguir viagem. A parada não dura meia hora e a rodoviária de Soria está sempre lotada. E não conte com serviço de transporte de malas. É cada um por si. Se o voo é a tarde, é possível fazer o trajeto com a PLM, que sai em um único horário, às 6h, chegando em Barajas às 11h35.

A empresa faz uma parada na cidade de Logroño. Neste caso não há troca de ônibus, o que deixa a viagem um pouco mais confortável. Uma dica para comprar passagens de trem e ônibus é habilitar transações internacionais do cartão de crédito ou a administradora poderá negar a operação. Por fim, é possível alugar um carro e se aventurar pelas estradas espanholas. A carteira de habilitação brasileira tem validade de 180 dias a partir da data de entrada no país. Entre as rotas de Madri a Pamplona está a rodovia AP-15, conectada as autopistas AP-8, A-10 (continuação da la A-1), AP-68 e A-12, além das vias N-121, N-135, N-113 (continuação da N-122). Porém, prepare o bolso.

Fiz o percurso na volta de carro e perdi a conta do número de pedágios. E lembre-se que a tarifa é cobrada em euro. Alguns aceitam cartão de crédito e outros apenas dinheiro vivo. O que incomoda um pouco na viagem de carro é a impaciência dos motoristas na passagem pelo pedágio. Confesso que deixei algumas moedas a mais na passagem automática pois não estava a fim de ouvir buzinaços atrás de mim a cada parada.

Serviço
Preços e empresas:
Ônibus: De 20 a 30 euros
Trem: De 42 a 78 euros
Avião: De 85 a 170 euros
Valor médio por trecho. Preço varia de acordo com disponibilidade e temporada.
Companhias aéreas:
Iberia: http://www.iberia.com/br
Lufthansa: http://www.lufthansa.com/br/pt/Homepage
Trem:
http://www.renfe.com
Ônibus:
Alsa: www.alsa.es
PLM: https://www.plmautocares.com
Rodoviária de Pamplona
Rua Yanguas y Miranda, 2
Telefone: 948 203 566
Site: http://estaciondeautobusesdepamplona.com/Inicio.aspx.html

Onde se hospedar

Apesar de Pamplona contar com uma rede hoteleira razoável, preferi alugar um apartamento. Prédios afastados do Centro e da região turística saem mais em conta. Foram 500 euros por 30 dias de hospedagem com tudo incluído, desde o condomínio, consumo de água, gás e energia elétrica. Uma verdadeira pechincha. Quem não pensa em alugar um apartamento, pode escolher entre os variados tipos e estilos de hotéis. Se o bolso estiver apertado, é possível ficar em um hostal, como o Navarra, no Centro, ou no Acella em uma área mais distante, próximo à Universidade de Navarra.

Há também acomodações em redes baixo custo como o Blanca e o Holiday Inn Express, também distantes do Centro, ou ainda os mais tradicionais, como o Gran Hotel La Perla, cinco estrelas e lugar que Hemingway se hospedou. Já no Centro ficam os clássicos Hotel Avenida e Yoldi. Uma opção que está na moda são as casas rurais nas imediações da cidade, entre elas o Hotel Casa Azcona em Zizur Mayor. Os preços variam de 38 a 180 euros a diária dependendo da temporada. Estes valores explodem durante as festas de San Fermín, quando a procura é grande.

Compras

Pamplona
Regalos Estafeta, a mais antiga loja de suvenires de Pamplona

Antes de se despedir desse destino incrível, não se esqueça de levar uma lembrancinha, ou várias. Entre as incontáveis lojas, a Regalos Estafeta é a mais antiga da cidade. Aberta há 62 anosno número 47 da Calle Estafeta, bem no Centro, a loja se dedica exclusivamente a artigos típicos. Quem me convidou para entrar foi Ernesto Larequi, que toca o negócio com a esposa há quase cinquenta anos. Entrar nesta pitoresca lojinha é esquecer do tempo.

Então, se você está com pressa, melhor nem ir. Ernesto me conta que sempre oferece novidades, mas, o que encanta o turista são itens tradicionais, como um pequeno touro para crianças, camisetas, além de réplicas em escala reduzida dos gigantes que tomam as ruas da cidade durante as festividades de San Férmim. “Quando os gigantes dançam pelas ruas de Pamplona, atraem muita gente. Os turistas ficam enlouquecidos”, diverte-se ao meu mostrar uma versão feita em borracha, que acabei trazendo para o Brasil.

Assim como a esposa, Ernesto é pura simpatia e não se cansa de mostrar cada cantinho da loja, sem se importar se vai vender ou não. “Aqui em Pamplona procuramos ser simpáticos e amáveis. Fico feliz em poder mostrar e falar dos símbolos que representam as nossas tradições e não apenas os das festas de San Férmin. Quando um turista leva algo daqui, ele está espalhando pelo mundo a nossa cultura”, diz com um incansável sorriso nos lábios. Difícil deixar o local sem algo para deixar a mala ainda mais pesada na volta.

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Eduardo Gregori

Eduardo Gregori é jornalista profissional especializado em turismo. Eduardo Gregori is a professional tourism journalist

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