Uma viagem para dentro de si mesma

Que lugar deveríamos ocupar em nossa existência diante da imensidão do universo? Qual é o propósito de estarmos vivos? Que papel deveríamos cumprir durante o que chamamos de vida? E depois dela, o que vem? Inquietudes como essas, ínfimas se comparadas ao tempo e ao espaço, mas grandiosas quando dizem respeito a nós mesmos, levaram a advogada Marina Schwartzmann a abandonar uma bem-sucedida carreira em um dos mais prestigiados escritórios de advocacia da América Latina para lidar com pessoas sob um diferente prisma, capaz de conduzi-la a respostas que lhe façam entender melhor sua trajetória como ser humano. “Sempre fui muito ligada no bem-estar das pessoas. Quando criança, dizia ao meu avô que um dia seria presidente da República”, lembra. Hoje, realizada pessoal e profissionalmente, viaja o mundo em roteiros que buscam, sobretudo, o autoconhecimento.

No dia 11 de fevereiro de 2018, Marina embarca para o Nepal e o Butão, países asiáticos conhecidos pela extrema religiosidade – o Butão é também considerado a nação mais feliz do mundo. Serão 15 dias passando por santuários, templos e lugares sagrados como Lumbini, local de nascimento de Buddha, e o Templo da Deusa Viva. “Será uma jornada sagrada para conhecer e entender a fundo o hinduísmo e o budismo”, explica. O roteiro continua na Índia, com parada em Rishikeshi, a capital do yoga, durante o festival mundial de yoga. “Será uma oportunidade para praticar yoga com pessoas de vários países e ouvir os mestres e gurus mais importantes”, diz. O tour ainda incluirá Agra, Jaipur, Jodhpur, a capital Nova Deli e Varanasi, a mais sagrada das cidades indianas – situada às margens do Rio Ganges, é o lugar que os hindus escolhem para morrer.

Esta será a primeira vez que Marina levará um grupo para uma viagem do tipo na Ásia. No ano passado, os destinos foram Machu Picchu, a cidade sagrada dos incas, no Peru, e Chapada Diamantina, na Bahia. “São viagens de contemplação e de meditação, que estimulam a espiritualidade e o alinhamento entre o ser e o todo. A natureza onipresente e bela desses dois locais só facilitou essa conexão”, avalia ela, destacando que suas viagens também questionam o lugar que o homem ocupa na sociedade. “Você não vai a um lugar tão belo quanto Machu Picchu apenas para visitar e se conectar consigo. Você precisa enxergar o outro e como o turismo pode contribuir socialmente com as pessoas que ali vivem. Busco lugares nos quais o turismo não beneficia apenas o dono de um negócio, mas que envolve a população de maneira positiva. É uma viagem para dentro de si, mas também para expandir a consciência a respeito da nossa responsabilidade social”, explica.

Para embarcar com Marina rumo ao Nepal, Butão ou Índia, envie um e-mail para costabrava@costabrava.com.br

Processo de descoberta

Foi em 2015, de volta a Campinas depois de uma década no Rio de Janeiro, que Marina mergulhou em busca da realização pessoal e profissional. “Entrei em um curso de expansão de consciência, fui fazer constelação familiar, fiz um curso de formação em yoga e intensifiquei a busca pela minha verdadeira missão de vida. Adotei uma espécie de mantra que diz que ninguém pode ajudar a ninguém sem antes ajudar a si próprio”, explica. No final daquele ano, ela começou como estagiária na agência de viagens da família e no ano seguinte, finalmente, encontrou seu lugar nessa engrenagem. “Propus a criação de um departamento para cuidar das pessoas. Faço curso de gestão de negócios pela Fundação Dom Cabral para entender como administrar uma empresa, mas me sinto completa ao cuidar de gente. Parece que ocupei um espaço que era só meu”, comemora.

Antes de encontrar sua verdadeira missão, Marina correu atrás do que julgava ser sua vocação. “Aos 19 anos, fui para o Rio estudar direito na Universidade Candido Mendes e, entre todas as matérias, o direito penal sempre encheu os meus olhos. É a área que mais lida com os valores humanos, com a dignidade e a liberdade da pessoa”, conta. Graduação concluída, a carreira deslanchou. Foram dez anos até que a relação com a profissão começou a se desgastar. “A Justiça não funciona para todos da mesma maneira e nem com a velocidade que deveria, e isso foi me desencantando. Sempre fui uma pessoa motivada, e depender da falta de soluções e da morosidade da Justiça foi aos poucos me frustrando. Comecei a não me reconhecer, chorava a caminho do trabalho. Não queria isso para minha vida”, lembra.

Ainda no Rio, Marina investiu em uma marca de alimentos saudáveis. “De repente, me vi começando tudo do zero, enfrentando preconceitos, percorrendo longas distâncias dentro da cidade para vender meus produtos. Foi uma fase bem difícil, mas não desisti”, conta. Oito meses após o início dessa nova trajetória profissional, ela voltou a Campinas na tentativa de expandir sua marca. “Procurei o conselheiro da empresa de minha família e pensei em lhe propor sociedade. Queria que ele comprasse minha ideia, mas saí da conversa frustrada porque não consegui vender meu projeto e ainda fui embora com muitas questões na cabeça. Ele me disse que, se eu quisesse ter uma empresa, deveria antes conhecer como uma funciona”.

Texto de Eduardo Gregori publicado na Revista Metrópole, em 20/08/2017

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Eduardo Gregori

Eduardo Gregori é jornalista profissional e consultor de viagens. Eduardo Gregori is a professional journalist and travel consultant.

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